31/01/2019 | 14:33

Ativista denuncia que cotas para negros estão sendo preenchidas por brancos

Oito estudantes estão sendo acusados de fraudar cotas raciais da UFMT para serem aprovados em Medicina

As matrículas na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), iniciaram na quarta-feira (30) e oito estudantes estão sendo acusados de fraudar as cotas raciais no curso de Medicina.

Em entrevista ao MPOpular, o conselheiro do Conselho Estadual de Educação (CEE-MT) e candidato a deputado federal, Vinicius Brasilino (PcdoB), relatou que recebeu denúncias sobre os fraudadores e expôs, por meio de uma publicação no Facebook, todos os aprovados que se autodeclararam pardos/negros, mas que são nitidamente brancos.

Ao verificar a lista de chamada e pesquisar em redes sociais os estudantes inseridos em cotas destinadas aos pardos, negros e indígenas, é possível perceber que todos os citados são brancos. “Pessoas que são nitidamente brancas utilizam de argumentos de que são pardos para ocupar vagas, a gente sabe que quem fica realmente pra trás nessa sempre é o negro, que tem toda a carga histórica das dificuldades educacionais no nosso país”, afirmou Brasilino.

De acordo com as regras atuais da Universidade, para comprovar a cota racial, basta entregar uma autodeclaração em que o estudante atesta ser negro, pardo ou indígena. Desta forma, as fraudes passam despercebidas pela equipe de matrícula, que ocorrem em diversos cursos.

Devido ao descaso, os alunos estão se atentando às listas de chamada dos cursos e denunciando os casos para a Ouvidoria da UFMT e ao Ministério Público, pois autodeclaração racial falsa é considerado crime de falsidade ideológica.

“A gente vai aguardar a apuração dessas denúncias, se as pessoas comprovarem que são pardas, negras ou indígenas, eles vão ter os direitos deles garantidos, mas nós estamos questionando mesmo a veracidade da declaração dessas pessoas”, alegou o conselheiro.

Além disso, o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Cepir), juntamente com o Conselho Municipal e outros órgãos ligados a questões raciais, estão acompanhando o caso. “Estamos em fase probatória, acabamos de fazer a denúncia contra essas pessoas que visivelmente não são pardas, negras ou indígenas, mas que dizem que o ancestral é negro e se acham no direito de ocupar a vaga”, pontuou Vinicius.

Fonte: Muvuca Popular

Por: Vitória Tumelero

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