19/10/2018 | 17:44

PRECEITOS CRISTÃOS: Pastor defende Carta de Haddad aos evangélicos e afirma que cristianismo não coaduna com tortura

O pastor Teobaldo Witter é representante da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em Mato Grosso

O pastor Teobaldo Witter, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, considera positiva a iniciativa do candidato a presidente da República Fernando Haddad (PT), que divulgou Carta Aberta ao Povo de Deus, esclarecendo suas posições à comunidade evangélica brasileira. A iniciativa é a resposta ao apoio maciço das igrejas pentecostais e neopenteconstais ao presidenciável conservador e de direita Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo Teobaldo, os cristãos devem estar com a mente aberta para ouvir as propostas de Haddad e não podem coadunar com posições políticas que legitimam a morte e a tortura. O pastor se refere às pautas de Bolsonaro como liberação do porte de armas e defesa da memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, apontado como um dos principais torturadores da ditadura civil militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985.

“Pautas como tortura e a cultura da morte já deviam estar superadas, principalmente entre os cristãos. Nós acreditamos no Cristo que foi preso injustamente, torturado e condenado a pena de morte. Cristianismo é amor e defesa da vida”, declarou Teobaldo ao .

O pastor também lamenta que muitos evangélicos  estejam definindo seus votos em Bolsonaro baseados em Fake News. Como exemplo, cita notícias falsas que circulam na internet ligando Haddad a criação de leis inexistentes relacionadas à legalização do aborto,   Kit Gay, taxação de templos, proibição de culto público e escolha de sexo pelas crianças.

“São notícias falsas disseminadas para enganar e manipular as pessoas sobre assuntos que nada tem a ver com Fernando Haddad e sua cultura. É uma campanha baseada na mentira, que vai contra os valores cristãos. Nós pregamos a verdade”, completou Teobaldo.

A Carta Aberta ao Povo de Deus foi divulgada por Haddad na terça (17), durante reunião com  integrantes das igrejas Luterana, Metodista, Anglicana, Assembleia de Deus, Presbiteriana, Batista e Betesda realizada em São Paulo. No encontro, o petista  destacou que ele e a mulher Ana Estela Haddad seguem princípios cristãos e defendeu o Estado laico como forma de garantir a liberdade de culto.

É uma campanha baseada na mentira, que vai contra os valores cristãos

Teobaldo Witter

O documento cita diversas passagens da Bíblia e lembra que os ex-presidentes da República do PT Lula e Dilma Rousseff sofreram ataques semelhantes e foram acusados de anticristãos durante suas campanhas eleitorais. Também afirma que a realizações como  ministro da Educação e Prefeito de São Paulo credenciam Haddad para governar o país.

“Minha vida pública, em segundo lugar: minha atuação, como Ministro da Educação e como Prefeito de São Paulo, fala por mim. Abri as portas da educação para os mais pobres, das creches – nas quais o governo federal passou a investir pesadamente em minha gestão – à Universidade. Antes do Pro-Uni, do FIES sem fiador, do ENEM, da criação de vagas em instituições públicas e gratuitas de ensino e das cotas raciais, o ensino superior era inacessível para jovens negros, trabalhadores e da periferia. Busquei humanizar a metrópole que me foi confiada, buscando inovações para ampliar os direitos, à moradia, à mobilidade urbana, ao meio ambiente sadio, à convivência fraterna’, diz trecho da Carta Aberta ao Povo de Deus.

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